31 out

DIAGNÓSTICO: PORTUGUÊS DA CESPE-UNB

Olá, pessoal, sou eu de novo, o professor Antônio Carlos Alves, de Língua Portuguesa para concursos. Há dez anos lecionando para concurseiros no Rio de Janeiro. Hoje vamos traçar um perfil da Banca Cespe-Unb.

Interpretação de Textos: As questões do Cespe-Unb de interpretação de textos, em sua maioria, são simples. Há três grupos básicos de questões: as de referência, as de inferência e as de reescrituras. As de referência são simples de resolver: basta uma leitura atenta do co-texto para se saber onde se localiza o referente. Quanto à questão de ter que se determinar se houve anáfora (nela, o referente está antes) e/ou catáfora (nela, o referente está depois) não há uma requisição tão frequente desses pormenores. Às vezes, há itens, ou alternativas que requisitam tal especificação.

As questões de inferências se limitam na maior parte das vezes a simplesmente serem reescrituras de momentos do texto, ou de uma dada passagem do texto. Nessa hora, é muito mais necessário atenção à leitura do que o texto disse, para ver se é possível admitir tal possibilidade de reedição do texto. Pouquíssimas são as questões que, de fato, sejam de fato para se inferir algo. Lembrando que inferir não é reescrever, mas sim saber o que avaliar o que tal passagem do texto tem como pré-argumento a permitir que tal afirmação seja veiculada, ou avaliar se tal argumento é uma decorrência possível de ser afirmada tão-somente em função do co-texto.

As questões de reescrituras interpretativas são questões que tratam de brincar com as noções de paráfrases (reescrever), perífrases (reescrever ampliando o volume de texto) e resumos (reescrever diminuindo o volume de texto), nada além disso. Nessa hora, há muito mais uma reedição do texto utilizando sinônimos e/ou antônimos e expressões equivalentes ou não, para que você confira se é ou não aquilo mesmo que editado no original. Mas, a propósito, nem a definição desses três itens são necessárias. A banca apresenta essas questões na maior parte dos casos junto a questões que seriam as de “inferências”, mas na verdade são de meras reescrituras. Então, o recado é voltar ao texto atentamente e conferir o que foi efetivamente dito. Não viagem na maionese, pensando mil coisas. Não façam isso.

Gramática: Então, vamos lá? A gramática do Cespe-Unb é bem tranquila comparada com outras bancas examinadoras. Uma pessoa que tenha razoáveis noções dos principais pontos relativos à sintaxe consegue andar bem numa prova de português da banca, principalmente quando ela elabora certames no estilo certo e errado. Quando ela produz questões de múltipla escolha o estilo permanece praticamente o mesmo, mas algumas questões se tornam um pouco mais trabalhosas, porquanto mais demoradas na sua extensão. Como falamos, sintaxe costuma ser o assunto predominante. Para quem não lembra os assuntos relativos à sintaxe, vamos rememorar. Nela, encontram-se: período simples (análise sintática) + vozes verbais, períodos compostos (orações e conectores); pontuação; regências; crase; uso de pronomes; colocação pronominal; e concordâncias. Mas não se esqueça de que sintaxe implica o conhecimento de morfologia, no que tange ao reconhecimento e posicionamento das classes gramaticais dentro da frase, dentro dos períodos. Assuntos outros caem também, mas episodicamente. São eles: acentuação, ortografia, flexão verbal, formação de palavras. Em geral, conhecimentos básicos acerca do que constitui cada assunto são suficientes para a feitura de uma boa prova da Unb. Mas, por favor, não se aventure a fazer a prova sem estudar, achando que dá para se virar no Cespe-Unb. Se você quiser achar que dá para fazer só com as lembranças, ou os achismos que você tem desde a época do colégio, devo, então, dizer o seguinte: esse dá, dá, mas desde que você tenha noções desses conteúdos. Aí, sim, é que se há de considerar o fato de que você não precisa ser um gênio da gramática normativa para ter sucesso na prova.

Enfim, para você sempre ter certeza acerca de com quem você estará lidando na hora da prova, na hora do seu concurso, estude a teoria, pois ela é necessária, mas nunca deixe de pegar questões da banca para treinar. Outra coisa: pegue sempre as provas mais recentes possíveis, pois elas sempre mostrarão a você como a banca está articulando os conhecimentos atualmente. Não pegue questões muito antigas, apenas porque elas são relativas ao mesmo concurso que você vai prestar. Às vezes, acontece de a banca não estar mais perguntando tal assunto daquela maneira. E isso pode te atrapalhar. Enfim, faça questões da banca relativas, no máximo, aos três últimos anos. Isso já vai ser para lá de suficiente. Pode acreditar. Salvo o caso de você querer treinar exaustivamente, treine tudo de todos os anos. Aí, você se prepara para toda e qualquer aventura. Inclusive se você for pegar questões de outras bancas para treinar. Isso ajuda, a propósito, a se precaver para qualquer intempérie, qualquer imprevisto. As outras bancas, ao perguntarem cada qual a seu modo, fazem com que a gente saiba lidar com outros modos de ver o mesmo assunto. Aí é para ficar craque e à vera.

RESUMO DA ÓPERA - Bom, pessoal, é isso. Por ora, a gente fica por aqui. Em nova oportunidade comentarei diferenças gramaticais existentes entre as bancas quando elas forem significativas e de interesse de todos vocês. Forte abraço a todos.

O Prof. ANTÔNIO CARLOS ALVES é professor de Língua Portuguesa em Cursos Preparatórios no Centro do Rio de Janeiro. Mas vive em busca da música, filosofia, linguagem, artes e de outros destinos. Facebook: http://on.fb.me/SsSNVI

IMPORTANTE – Os textos publicados nesse blog são de inteira responsabilidade dos seus autores em termos de opiniões expressadas. Além disso, como não contamos com um(a) revisor(a) de textos, também a correção gramatical e ortográfica é de inteira responsabilidade dos mesmos.

6 Comentários »

  1. Obrigado professor otimas dicas, pois ainda é no português que tenho maior dificuldade de estudar e entender, já vi que isso melhora com muita prática mesmo :-)

    Comentário by Alexandra de Andrade CE — outubro 31, 2012 @ 2:17 pm

  2. Muito legal essas dicas. A CESPE faz de tudo pra convencer que o errado está certo, e o simples parecer duvidoso.

    Comentário by Gisele — outubro 31, 2012 @ 2:32 pm

  3. Obrigada pelo texto!! Com certeza as provas da Cespe são trabalhosas mas quanto mais olho para elas, mas admiro e vejo a pena que vale a pena estudar, afinal, é lá que estará a nossa aprovação. Aguardamos as próximas dicas!

    Comentário by Déborah — outubro 31, 2012 @ 6:44 pm

  4. Professor Antônio Carlos, com relação ao Cespe, qual a ordem sequencial que devo adotar no estudo da gramática e de interpretação de textos? Posso associá-las ou intercalá-las em algum momento? Com relação ao nível da Prova (médio ou superior), devo começar a fazer provas por um ou outro nível ou é indiferente? Estou estudando para o concurso do TJFDT, técnico judiciário, cujo edital sai no início de janeiro com previsão de prova para a segunda quinzena de março. Eu estou preocupado com as questões referentes a essas matérias. Gostaria muito de gabaritá-las. O senhor pode me orientar?

    Paulo Sérgio Romariz
    Brasília-DF

    Comentário by Paulo Sérgio Romariz — outubro 31, 2012 @ 9:38 pm

  5. Olá, gente, tudo bem, obrigado Alexandra, Gisele e Déborah e Paulo pelos comentários e apreciações de vocês sobre o texto que escrevi. Obrigado a todos pela leitura e espero ter ajudado um pouquinho aí na caminhada de vocês. Agradeço muito mesmo. Em breve, vem mais por aí…
    Mas antes de terminar meu post, deixe-me falar com o Paulo: Paulo, pode estudar associando conteúdos, dependendo da sua organização. Aconselharia tomar uma base boa em sintaxe toda e ver como isso é aproveitando nas questões de interpretação, mas vendo quando é aproveitado. Quanto ao nível de escolaridade, sempre recomendo se preparar por cima, pelo nível mais alto para evitar surpresas na hora do concurso. Então, ainda que seja prudente começar a andar pelos caminhos mais simples, procure as questões mais complexas também. Para terminar, só um detalhe: nem sempre provas de nível superior são mais complexas, difíceis do que as de nível médio. Não dá para se basear só pelo nível de escolaridade para ter exatidão da dificuldade das questões. Sendo assim, sugiro ir fazendo as provas e questões que hoje estão ao seu alcance de conhecimentos; amanhã, no futuro, pegue as que hoje você ainda não alcança. Tudo na vida é um dia depois do outro, um passo de cada vez…Mas segue andando…Abraço grande a todos, prazer enorme falar com vocês…Prof. Antônio Carlos Alves.

    Comentário by Antônio Carlos Alves — novembro 6, 2012 @ 5:02 pm

  6. Boa dia Caro Antônio Carlos,

    Tenho a seguinte dúvida que não consegui dirimir completamente pelo seu artigo:
    A CESPE tem questões em que pergunta “Infere-se do texto …” ou “Depreende-se do texto …” que considero equivalentes. No entanto há questões cujo comando começa com “De acordo com o texto …”.
    Minha impressão, após analisar (e errar !) algumas questões, é que no primeiro caso (inferir) deve-se chegar a conclusões não explícitas no texto, mas razoavelmente dedutíveis a partir dele. No segundo caso (de acordo com o tetxo) deve-se limitar às idéias explícitas no texto.

    Poderia elucidar a questão ? Meus conhecimentos, incipientes diante dos seus, não me deram a confiança necessária sobre a correção de meu raciocínio.

    Aenciosamente

    Uildo Soares de Araújo

    Comentário by Uildo Soares de Araújo — julho 24, 2013 @ 4:15 pm

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