23 mai

DECIFRA-ME OU DEVORO-TE

E ela surge com seu olhar de pedra e coração de gelo corpo alado, impiedosa, desumana (a não ser pela sua face), totalmente racional dentro da sua lógica, seus ataques chegam rápidos como flecha, mas em forma de questões. Se na mitologia grega ela era considerada um demônio da má sorte, filha da Quimera, em nossos tempos sua imagem não fica muito longe disso, ela causa calafrios até nos concurseiros mais experientes, quem dirá nos novatos, assusta só pela simples lembrança e acaba com a moral dos desavisados.

Mas ao contrario da esfinge da mitologia grega, que se apresentava como: uma mulher com as patas, garras e peitos de um leão, uma cauda de serpente e asas de águia, nossa rival se apresenta de forma mais simples e organizada, enquanto sua sósia da mitologia trazia apenas uma só pergunta: “Que criatura pela manhã tem quatro pés, ao meio-dia tem dois, e à tarde tem três?”nossa algoz e mais sorrateira e traz consigo questões de Direito Constitucional, Direito Administrativo e até o temido Raciocínio lógico, e não apenas uma, nas tantas quantas ela achar necessária para testar os nervos e o coração do pobres concurseiros, muitas vezes ela vem em forma de afirmação, outras com múltipla escolha, algumas com pontos ponderados, mas com certeza a mais temida é a discursiva, a prova é nossa inimiga e ao mesmo tempo nossa passagem de ida para o mundo da estabilidade, portanto temos que supera-la, não podemos desistir! Se não há força para vencer devemos pelo menos lutar, ao menos o necessário.

Ao contrario das provas dos tempos de escola não lutamos apenas para conseguir uma boa nota, lutamos para ser o melhor, pois nessa guerra não basta vencer, tem que ser o melhor pelo menos no certame dos nossos sonhos.

Pobres concurseiros desinformados que chegam a sala de prova sem ao menos terem lido o edital quem dirá a matéria, muitos nem caneta levam, outros erram o local de prova, ah! Esses fazem a alegria da impiedosa esfinge, são devorados como simples aperitivos do enorme banquete de candidatos que está por vir, um banquete onde os sonhos são o recheio.

Embora a prova tenha toda essa força e seja impiedosa não devemos nos assustar, precisamos ir à luta e oferecer nosso melhor, dominar nosso medo, e partir pra cima, afinal a mesma figura que te assusta se dominada lhe dará uma vida de conforto e estabilidade, e no final das contas é por isso que lutamos para trazer conforto a nossa vida e de nossa família.

RESUMO DA ÓPERA - Devemos fazer como Édipo, que depois de analisar e estudar a sua inimiga descobre o segredo de sua pergunta e responde: “O homem — engatinha como bebê, anda sobre dois pés na idade adulta, e usa um arrimo (bengala) quando é ancião.” Com certeza depois de descobrirmos sua lógica ela também não irá mais assustar, e assim como a vilã da mitologia vai se devorar, e o que vai restar é apenas a vitoria, a alegria e a certeza de um futuro melhor.

RAFAEL URBANO é um concurseiro que quer fazer parte da equipe de articulistas do blog. O que você achou do artigo dele?

IMPORTANTE – Os textos publicados nesse blog são de inteira responsabilidade dos seus autores em termos de opiniões expressadas. Além disso, como não contamos com um(a) revisor(a) de textos, também a correção gramatical e ortográfica é de inteira responsabilidade dos mesmos.

2 Comentários »

  1. Gostei muito da analogia com a esfinge. Belo texto.

    Comentário by Antoniel Mendes — junho 1, 2013 @ 2:16 am

  2. Realmente, quando nos deparamos de frente com a Esfinge, vemos a grandiosidade da obra. O autor fez uma comparação feliz, porquê é assim mesmo que nos vemos quando estamos só as duas, eu e a prova, só nós no mundo. Não existe mais nada nem ninguém além do cadafalso (mesa de prova), com uma caneta, nem lápis deixam mais levar (um absurdo), o documento de identidade e no cantinho, uma solitária garrafinha de água, que às vezes nem lembramos de tomar para não perdermos tempo.
    O pior é o que vem depois, ao depararmos com respostas que DEVERÍAMOS e SABERÍAMOS, decifrar e fazemos uma tolice que até hoje não conseguimos descobrir o porquê. Essa hora, simplesmente é uma TORTURA, e dá vontade sabe Deus, de fazer o quê.
    Vai assim de concurso em concurso, passando e nunca conseguindo ser chamada. Há tempos que não tenho Natal, Ano-Novo, verão e a saga continua esperando em Deus, um dia ter a minha recompensa.
    Sheila.

    Comentário by Sheila — setembro 15, 2013 @ 4:19 am

Deixe um comentário